Perdidos na Tribo

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Como já vem sendo hábito, a feroz concorrência televisiva a que se assiste em Portugal faz com que as estações não olhem a meios para atingir os seus fins. Desta vez, no mesmo dia estrearam dois reality shows, completamente diferentes, mas ambos prometedores de fortes audiências: pela SIC, o "Peso Pesado" (versão adaptada do bem sucedido "Biggest Loser" americano) e pela TVI, "Perdidos na Tribo" (versão famosos).

O Peso Pesado, ainda que eu ache que aquilo está a ser um fiasco, lá vai sendo um programa minimamente dentro do aceitável. Agora o outro???
Quando vi anunciarem o Perdidos na Tribo achei logo que aquilo ia ser uma porcaria, quer pelo formato do programa, quer pelos participantes/concorrentes supostamente famosos. Eu sei que sou um bocado distraído mas... quem são aquelas personagens famosas??? Há três ou quatro que conhecia (nem todos por uma grande reputação) mas todos os outros nunca tinha ouvido falar neles: Cláudia Jaques??? Fernando qq coisa???

Mesmo assim vi o primeiro episódio e aquilo, de certa forma, até teve a sua piada: a apresentação das tribos, os primeiros contactos com os concorrentes, etc. Foi o suficiente para me levar a ver também o segundo episódio. Porém, a este episódio já não lhe achei piada nenhuma. Além da forte componente "abichanada" (mas pronto, isso é que dá audiência), ainda se metem a matar animais ali sem mais nem menos. Mas para quê estes espectáculos gratuitos de violência e sacrifício de animais, ainda por cima em horário nobre??? Mais, como se não estivessem satisfeitos, fartam-se de mostrar aquela porcaria nos anúncios durante a semana.
Eu sei que nas tribos aquilo é mesmo assim à base da lei do mais forte mas era desnecessário mostrarem. Para quê??? Bah. Mais uma porcaria de programa ao estilo sensacionalista que tão bem caracteriza a TVI.



A minha experiência (?) com o ensino e com a UAb

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Esta história de ser professor é lixada ...

Enquanto estudante sempre tive uma postura pacífica com a escola (tirando as aulas de Física dos 11º e 12º anos - um dia ainda hei de escrever uma novela ou um filme de terror baseado nessas aulas e em todo o seu entorno). Digamos que não era um baldas mas também não era um "marranito": tinha alguma facilidade na aquisição da matéria e estudava sempre de véspera. Em suma, era um aluno de 4 e mais tarde de 16/17.

Ainda assim, apesar de ter uma boa relação com a escola, a minha posição sempre foi do tipo "Professor? Eu? Nem pensar!". Não podia estar mais longe da realidade...

Corria o ano de 2004 e encontrava-me a frequentar o último semestre da minha licenciatura, semestre este que apenas tinha três cadeiras, com uma carga horária reduzida, alguns dias livres, etc. Fiquei a saber através da minha mulher (namorada na altura) que até podíamos dar umas aulinhas e podíamos faze-lo através de umas coisas que eram as ofertas de escola ... coisas muito estranhas para mim naquele tempo, pois era tudo novidade e nunca mas nunca me tinha interessado pelo assunto. Ela estava "inclinada" a concorrer, pois sempre ocupava algum tempo livre ao mesmo tempo que entrava no mercado de trabalho e, por consequência, ganhava o seu primeiro ordenado (que vinha dar um jeitão). E eu, que sempre tinha descartado essa hipótese, fui atrás (difícil de convencer que sou).

Foi assim que entrei no ensino. Por motivos adversos tinha acabado de deixar a cidade onde estudei, regressando ao sítio onde sempre vivi, pelo que "fui parar" à escola secundária que tinha frequentado e que tinha abandonado cinco anos antes. Foi assim uma coisa esquisita, estranha, sei lá ... não só por ser o primeiro ano que estava a leccionar, mas também por situações como ser confundido com alunos, ser tratado por "sr. professor" pelas mesmas funcionárias que poucos anos antes gritavam comigo por eu ter o boné na cabeça, por ter que tratar os meus ex-professores por "tu", por ter alunos quase da minha idade, por ter vontade de alinhar nos "pagodes" que por vezes se passavam dentro da sala mas não poder ... foi mesmo estranho / horrível. Aliado a isso, todo o mau funcionamento que a escola já denotava quando lá fui aluno tinha piorado.

Resultado: nem levei o meu primeiro contrato até ao fim, nem acabei o meu curso nesse ano. A sensação com que fiquei desse ano lectivo foi péssima. Contudo, houve uma coisa da qual guardei boas recordações: os "meus" alunos ... e foi isso que me fez continuar nos anos seguintes.

No ano lectivo seguinte, enchi-me de força e voltei a concorrer para um horário de oferta de escola (agora já sabia o que eram), desta vez para uma escola básica de uma localidade próxima, da qual sabia de antemão que era uma escola complicada.
Soube que fiquei colocado e lembro-me como se fosse hoje: fui-me apresentar ao serviço e logo nessa tarde fui assistir a uma reunião de uma turma (e que turma) de currículo alternativo de 5º/6º ano. Nem sabia o que aquilo era mas durante a reunião foi perceptível pelos testemunhos dos outros professores que não se avizinhava um cenário fácil.
Na manhã seguinte começava logo com essa turma e lembro-me de estar antes da aula, na sala de professores, a falar com uma colega (mais tarde amiga) e sentir que ela estava com um discurso incentivador/motivador mas não percebi bem porquê ... 20 minutos depois da aula começar percebi!

Nesta escola assisti a coisas impensáveis: cada aula era um desafio (chamemos-lhe assim) diferente, a indisciplina era recorrente, aconteciam situações marcantes, etc., mas sabia que quando entrasse na sala de professores todo o stress se transformava em boa disposição ... era como se o intervalo servisse para recarregar baterias. Alunos dificílimos por um lado mas ternurentos por outro, turmas "impossíveis" por um lado mas gratificantes por outro. A par disto, sentia-se o apoio por parte das diferentes estruturas e órgãos da escola.
Foi por isto e muito mais que quis (e consegui!) voltar no ano seguinte e no outro e no outro e no outro. Foi uma escola à qual devo quase tudo aquilo que sou enquanto (candidato a) professor mas não só. Se é verdade que me proporcionou o privilégio de trabalhar com determinadas pessoas que admiro e considero realmente "boas naquilo que fazem", crescendo enquanto profissional, também é verdade que me proporcionou excelentes momentos de boa disposição e espírito de equipa, crescendo enquanto pessoa.
Enfim, uma escola da qual ainda sinto que faço parte.

Cinco anos e alguns BONS amigos depois, tive de saltar fora. Fruto de políticas economicistas aplicadas às instituições de ensino, deixou de haver "espaço" para mim naquela escola, neste ano lectivo. Desta vez "calhou-me" uma escola a 75 Km do local onde vivo, numa localidade pacata do Baixo Alentejo. Quando soube que tinha lá ficado colocado, lá fui eu apresentar-me ao serviço, dividido entre o alívio de finalmente ter emprego e a revolta de ter que abandonar a "minha" escola. Quando me perguntam sobre esta escola, a minha resposta é quase sempre do género "Sim, a escola funciona bem, tem boas instalações, está bem equipada e os miúdos não dão chatices nenhumas". Quando perguntam sobre a minha continuidade nela, a resposta, ao contrário do que seria "óbvio", é do género "Até nem me importava mas ... Porquê? Porque nesta escola tudo é levado demasiadamente a sério, o espaço para a boa disposição e convívio é reduzido, onde todas as actividades de carácter informal têm um toque de falso/artificial e onde os números determinam de forma quase exclusiva todo o funcionamento da escola".

Agora, com o fim-de-ano à porta, confesso que já estou habituado e até me custa um pouco pensar na ideia de abandonar esta escola, mas sei que é o que vai acontecer. Guardarei, com certeza, boas recordações de muitos alunos e de alguns colegas.

Então, mas onde é que entra a UAb nesta história?
Pois bem, na realidade eu nem sou professor mas antes candidato a professor, visto que a minha formação é de engenharia informática e não de informática via ensino, pelo que o Ministério da Educação (ME) não me confere habilitação profissional para a docência. Na prática, faço tudo (e muitas vezes até mais) aquilo que um "verdadeiro professor" faz mas sou remunerado de forma inferior e no fim do ano lectivo não posso renovar contrato nem ingressar na carreira docente. Isto por um lado revolta-me porque tenho colegas que estão acomodados na profissão e passam os dias a coçar os tintins, mas por outro lado compreendo: bolas, não foi para isto que eu estudei e portanto não é justo que possa ocupar o lugar de quem o fez.

Em Agosto passado inscrevi-me num curso de profissionalização em serviço na UAb, pois esta é a única forma do ME me atribuir a qualificação profissional para o ensino. Devido às várias restrições que o ME impõe, só agora o pude fazer e teve mesmo de ser na UAb, visto ser a única instituição que promove este curso actualmente. Era o início de um autêntico pesadelo ...

Estou quase a acabar o curso e posso dizer que, até agora, tudo, tudo, tudo mas tudo mesmo, funciona muito mal. Esta instituição de ensino superior é uma coisa ... de horrível para cima.
Começando pelo método de ensino (que eles até o "vendem" muito bem) - ensino à distância - epá, é uma autêntica bosta. As coisas funcionam muito mal, de forma super assíncrona, as dúvidas podem ser esclarecidas passado 5 minutos, passado 3 dias ou nem sequer ser esclarecidas.
Actividades e trabalhos de avaliação: digamos que é fácil ser professor na UAb ... é do tipo "toma lá 7 ou 8 pdf's, lê e faz o trabalho". Mas então? Alguns professores dão umas orientações de resolução depois da data estipulada para entrega mas é quase por favor.
Exames presenciais: não sei se ei-de rir ou chorar. O local de exames mais próximo da minha casa fica a 100 Km, tem lugar numa sala pequena para tanta gente, abafada, com cadeirinhas daquelas com apoio para escrita onde temos de por o enunciado no colo, estojo e garrafa de água no chão, etc. Pior do que isso, o local de exame varia e só somos avisados de véspera, temos música ou miúdos a gritar como som de fundo, etc.
Reclamações??? Para quê? Da mesma forma que os professores se "esquecem" de esclarecer dúvidas também os serviços administrativos simplesmente se "esquecem" de olhar para as reclamações.
É que até a porcaria do pagamento de propinas funciona mal: não cumprem as datas, não disponibilizam as referências bancárias a tempo e horas ...

Se ainda pudesse dizer que tenho aprendido alguma coisa mas não. NADA. Não recomendo a ninguém esta universidade.

A minha experiência nestas "andanças" de professor é ainda muito curta, quase que nem começou, e só tenho assistido a medidas por parte do ME para piorar o estado no nosso sistema de ensino (é que nem sequer deixam estar como está ... pioram). Por diversas vezes me questiono se tudo isto que tenho andado a fazer valerá a pena. Espero que sim.

Redes Sociais: perigosas ou não?

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As redes sociais existem há muitos anos, antes mesmo de existir Internet "residencial". Pessoas com interesses comuns / ideais restritos juntavam-se em espaços para conviver. Desde clubes do charuto, clubes do bigode e outras coisas assim do género (um bocado parvas, diga-se).

Hoje, quando se fala em redes sociais, automaticamente se pensa nas redes sociais online: Hi5, mySpace, Orkut, Twitter (?) e, claro, o mediático Facebook. A popularidade deste tipo de sites é de tal forma grande que a sua finalidade de simples socialização extravasou para o campo do profissional e do comercial. ... trata-se de marcar uma posição online e/ou manter uma identidade virtual.

Até aqui parece tudo normal. Então porquê levantar a hipótese de haver perigos na utilização das redes sociais? Pois bem, do meu ponto de vista as redes sociais não apresentam quaisquer riscos só por si. O problema surge com a utilização que lhes é dada. Muitas vezes as pessoas "refugiam-se" atrás de um monitor e "transformam-se" radicalmente, criando um fosso enorme entre as suas identidades real e virtual.

Este é um tema que costumo abordar todos os anos, em todas as turmas, umas vezes porque faz parte dos conteúdos, outras vezes de maneira mais informal por considerar um assunto importantíssimo, principalmente para os jovens. E começo por perguntar aos meus alunos se têm perfil no Facebook. É claro que a maioria levanta o bracinho (mesmo nas turmas dos mais pequenotes, que nem sequer têm a idade mínima para criação de um perfil no Facebook) e imediatamente a seguir escolho um aluno ao acaso para lhe fazer a seguinte pergunta: "eras capaz de imprimir tudo, tudo o que tens no teu perfil, inclusivamente fotos, e afixar ali na entrada da escola?". A resposta é imediata: "não pssor!"
A maioria diz não ter nada de mal nos seus perfis mas que são coisas pessoais e não querem que toda a gente as veja ... lá está, o tal "refúgio" (absurdo e errado por sinal) atrás do monitor. Alguns dos alunos estão cientes e utilizam os mecanismos de privacidade que a maioria das redes sociais fornecem. Explico-lhes que esses mecanismos são bons e devem ser utilizados, mas que são facilmente falíveis (e nem é preciso ser nenhum hacker ou nerd da informática). Fica um breve silêncio na sala de aula, alguns desconfiam e pedem-me para lhes mostrar, mas eu termino mostrando alguns vídeos de sensibilização.

Não é fácil encontrar vídeos deste género em português mas hoje "encalhei" com um que acho muito bom, pelo que o partilho aqui. O vídeo, da autoria da Toshiba, aborda boas e más práticas na utilização das redes sociais.


É o básico que devemos fazer e, de uma maneira ou outra, quase todos já o sabemos mas às vezes teimamos em esquecer-nos.

Primeiros dias de pai - 2º capítulo

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"Ah é um rapaz? Que engraçado, ficam logo com o casalinho" ... desta vez foi esta a frase que mais me disseram (depois do típico "parabéns") quando souberam que ia voltar a ser pai. Nunca tive preferência pelo sexo mas confesso que se pudesse escolher teria escolhido assim ... um rapaz.

Após dois anos e três meses do nascimento da minha primeira filha, voltámos ao mesmo: as mesmas salas, muitas caras iguais, os mesmos procedimentos ... enfim, parecia um flashback. Tanto assim foi que automaticamente interiorizei que os primeiros meses de vida dele seriam iguais aos da irmã, ou seja, noites sem dormir, choro porque tem fome, choro porque tem a fralda suja, choro porque tem cólicas, choro porque sim.

Porém, não podia estar mais enganado. Até tenho um bocado de receio de dizer isto mas este é o típico bebé "come e dorme" (com uma mudança de fralda a meio). Pega bem no peito, quando está acordado fica calminho no berço ou no nosso colo ... enfim, o oposto da maninha. Espero que assim continue por muito tempo :D

Há, contudo, uma coisa que me aflige: ele já está com a lua! Já estendemos duas máquinas de roupa dele durante a noite.
Oh meu deus, e agora? O meu filho já está destinado a ... a quê? Mais de dois anos depois continuo sem saber nem perceber que treta é essa de estar com a lua. Daria, com certeza, um bom episódio do Myth Busters.

Outra coisa ... lembram-se daquela história de não saber a temperatura do leite artificial? Pois bem, felizmente ele ainda não precisa, mas de qualquer das formas continuo na mesma: "ah, vertes para o pulso".





I'm back

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Quase dois anos depois, eis que surge um novo artigo no meu blog. E adivinhem lá porquê ... claro, pelos mesmos motivos que me levaram a criar o blog, ou seja, por estar a gozar nova licença de paternidade e ter um tempinho e um novo "motivo" para escrever :D

Keep tuned!