Sim, sim, eu sei ... isto é um assunto que já está mais que batido em milhares de fóruns espalhados pela Internet, mas aqui fica a minha modesta visão sobre o assunto.
Esquecendo os tempos "áureos" do ZX Spectrum +, a minha experiência com computadores começou, tal como a maioria das pessoas, com a utilização do Windows (3.1 mais concretamente) e sempre fui um utilizador de produtos Microsoft.
A primeira vez que tomei contacto com o Linux foi à cerca de dez anos atrás e não fiquei nada impressionado ... pelo contrário. Naquela altura, qualquer coisa tão simples como ter um rato a funcionar, um teclado configurado para português ou um interface gráfico, era uma verdadeira aventura. Entre Red Hat's, Suse's e Mandrake's (distribuições mais populares desse tempo) o grau de dificuldade de utilização era mais ou menos o mesmo, ou seja, muito complicado.
Ainda assim e por necessidade, vi-me obrigado a continuar a utilizar o Linux e, à medida que assistia à sua evolução, a minha opinião foi mudando. A instalação deste sistema operativo tornou-se muito mais simples, a detecção do hardware mais "transparente", surgiram os live-cd's, foram criadas muitas distribuições (incluíndo as portuguesas Caixa Mágica e Alinex), outras foram extintas e outras foram fundidas.
No fim-de-semana passado decidi montar uma espécie de media center para a minha sala. Como a minha mulher "devora" filmes/séries e como tinha um computador antigo que já não utilizava, lembrei-me que poderia prepará-lo para ligar à TV da sala e assim facilitar o processo de ... enfim, como hei de chamar-lhe ... descarregamento de conteúdos cinematográficos e televisivos a partir da Internet (aka sacanço da net). Além disso, com este media center poderia juntar os dois discos externos e o iPod que temos num único computador, aumentando o espaço de armazenamento para esses conteúdos.
Liguei o computadorzinho na sala, meti o cd do Windows XP, arranquei, instalei e depois era só meter um anti-vírus, uns codecs, actualizar o Windows e mais uma coisa ou outra. Mas este processo que seria simples, tornou-se num pesadelo: o Windows não reconhecia um disco externo, demorava uma eternidade para transferir ficheiros no outro disco, a imagem soluçava a reproduzir vídeos, etc. Fiz as actualizações todas, instalei os drivers mais recentes, corri uma série de fóruns em busca de soluções, abri o computador, troquei memórias, discos, cabos ... enfim perdi o fim-de-semana quase todo e nada. No Domingo à noite, quando estava quase a desistir pensando que seria o computador que já não estava grande coisa, lembrei-me de arrancá-

lo com um cd do Ubuntu que tinha ali "perdido" na bolsa dos cd's. O resultado foi surpreendente: tudo funcionou perfeitamente, sem necessidade de instalar quaisquer drivers. Os discos foram detectados, a transferência de ficheiros rápida, a reprodução de vídeos sem problemas ... tudo isto de forma leve sem que o computador se arraste.
Neste momento estou rendido ao Ubuntu e, se de início não fiquei nada impressionado com o Linux, neste momento considero que esta distribuição é uma séria alternativa ao Windows, seja ele XP ou Vista.
Dou por mim tentado a instalar o Ubuntu no meu portátil. Porque é que ainda não o fiz? Pois ... nesta profissão de professor de informática de uma escola em que 100% do software utilizado é Microsoft e na qual existem dezenas de "pedidos de socorro" por dia, vejo-me obrigado a continuar a usar o Windows.
Só para concluir, se o Linux já é fácil de utilizar, substitui perfeitamente o Windows e ainda por cima é completamente gratuito, porque é que não é largamente utilizado? A resposta é fácil: resistência à mudança :|